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Biotecnologias para intensificação da estação de monta

Uma estação de monta bem manejada seguindo criteriosamente seu planejamento e utilizando biotecnologias da reprodução, tendem a obter bons resultados. Nesse artigo você vai ler mais sobre a importância da biotecnologia na estação de monta.

Os bovinos são poliéstricos anuais, ou seja, manifestam cio o ano todo, mas o retorno da atividade cíclica pode ser fortemente influenciado pela perda em escore de condição corporal devido a sazonalidade na quantidade e qualidade forragem disponível ao pastejo, o que pode ocasionar um prolongamento do anestro (ausência de cio) após o parto. 

Diante disso a estação de monta (MN) pode favorecer que os acasalamentos, seja por monta natural ou por inseminação, e que sejam realizados em um período mais propício do ano, onde em geral tem maior oferta de alimento. Um dos principais aspectos a serem observados na realização da estação de monta, seria no tocante a sua duração. No Brasil se utiliza uma estação de aproximadamente 120 dias, mais considera-se desejável que seja de até 90 dias, pois favorece uma maior concentração de nascimentos. Salienta-se, no entanto, que a definição da duração da estação dependerá de inúmeros fatores, e dentre eles podemos destacar: anos de realização de estação de monta, categorias produtivas, monta natural ou inseminação; área de pastagens, suplementação estratégica, etc. Uma das estratégias a serem implantadas para organizar e potencializar os resultados de uma estação de monta seria com o uso das biotecnologias da reprodução.

A inseminação artificial (IA) é a biotecnologia da reprodução mais difundida e utilizada no mundo, e traz benefícios para o pequeno, médio e grande produtor, pois acelera o ganho genético com a seleção e uso de touros superiores, porém há um grande empecilho, que é a detecção de cio. No intuito de minimizar esse problema, pode-se adotar o uso da inseminação artificial em tempo fixo (IATF), biotecnologia mais avançada e que vem crescendo de forma exponencial no país nos últimos anos, alcançando cerca de 26.480.025 protocolos comercializados em 2021, segundo dados do Departamento de Reprodução Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP). Estima-se que aproximadamente 23% das fêmeas aptas à reprodução foram inseminadas em 2021 (ASBIA, 2022), em um rebanho de aproximadamente 217 milhões de bovinos. Dentre as principais vantagens, a IATF proporciona a possibilidade de ressincronizar os animais antes mesmo do diagnóstico gestacional, graças aos avanços da ultrassonografia (US) com a modalidade doppler.

A utilização do US no decorrer da estação de monta é uma excelente ferramenta para obtenção de melhores resultados, sendo importante uma avaliação ginecológica criteriosa desse animal no início da sincronização (D0), tendo como principais objetivos: avaliação de patologias reprodutivas; avaliação de animais inférteis; escolha de protocolos específicos para determinados grupos; além da utilização no momento da inseminação, favorecendo a tomada de decisões de inseminar ou não, e direcionar para o corno lateral ao ovário com o folículo pré-ovulatório (FPO), ou até mesmo inseminar e junto adicionar a aplicação de um fármaco como coadjuvante para aumentar a probabilidade desse animal ovular dentro da janela de viabilidade espermática.

Outra vantagem da US é o uso na ressincronização, com o objetivo de diminuir o intervalo da próxima IATF. Convencionalmente, a ressincronização pode ser iniciada 30 dias após a inseminação, já o método precoce e super precoce podem ser realizados 22 e 14 dias após a IA representando um ganho de 8 dias a 16 dias na estação. Sendo assim, em uma fazenda que pretende realizar três IATF’s na estação de monta, é possível fechar a estação do lote com 48 dias ao se realizar a ressincronização super precoce, possibilitando uma taxa de prenhez acima de 85%, caso a fazenda seguiu todo o planejamento proposto. Para isso é necessário que o equipamento de US tenha a função modo Collor doppler ou Power doppler, e técnico treinado.

Outra biotecnologia é a transferência de embriões (TE), que consiste em selecionar uma doadora de alto valor genético e superovular através da manipulação hormonal. Em 2020 foram transferidos 15.165 embriões in vivo no Brasil. Dessa forma ao invés de ovular apenas um folículo, com o uso da superovulação ocorre a ovulação de vários folículos, obtendo um alto número de produtos da mesma doadora, disseminando de forma mais rápida e eficaz sua genética. Após o protocolo de superovulação da doadora e a inseminação. Após 7 dias da inseminação realiza-se lavagem uterina, e os embriões são encaminhados para o laboratório onde são selecionados, sendo os viáveis e aptos para serem transferidos para as receptoras pelo protocolo de transferência de embriões em tempo fixo (TETF), ou seja, com a presença de um corpo lúteo funcional.

A produção in vitro de embriões (PIVE), é uma biotecnologia que consiste no encontro dos espermatozoides com o oócito fora da doadora, no laboratório. Para isso são necessárias várias etapas, como aspiração dos oócitos da doadora (OPU), a maturação desses oócitos no laboratório, a fecundação (FIV), e cultivo desses embriões obtidos na fecundação, que no final são transferidos para receptoras sincronizadas e aptas. O Brasil vem se destacando com essa biotecnologia sendo o segundo país no mundo que mais produz embriões, com cerca de 366.253 embriões produzidos in vitro. Também é possível realizar a PIVE comercial, que consiste no mesmo processo da PIVE, contudo os oócitos aspirados são provenientes de doadoras abatidas em frigoríficos. Vale ressaltar, que tanto a TE como a PIVE podem ser alternativas utilizadas no decorrer da estação de monta como forma de incrementar a disseminação de animais de genética superiores, porém não é convencional o uso dessas estratégias nas fazendas do Brasil, a não ser as fazendas de produção de genética.

Uma estação de monta bem manejada seguindo criteriosamente seu planejamento, utilizando biotecnologias da reprodução, tendem a obterem resultados fantásticos, principalmente com o uso de IATF, sendo recomendado o mínimo de duas IATF por lote, de forma a avaliar os resultados e tomar uma decisão em conjunto de eliminar o uso de touros de repasse nessa fazenda, o que agrega valor ao melhoramento genético do rebanho.

Giancarlo Magalhães dos Santos – Médico Veterinário – Reproducio

Leandro Santiago Alves – Acadêmico de Medicina Veterinária

Cláudia Sampaio – Professora Bovinocultura de Corte DZO/ UFV

 Sobre a Rúmina 

A Rúmina é uma empresa de soluções inovadoras para a pecuária no Brasil e América Latina, com foco em apoiar os produtores de hoje a se tornarem os produtores do futuro: mais produtivos e sustentáveis. Por meio de tecnologia, transforma dados das fazendas em uma experiência digital inteligente, que apoia o produtor e empodera a cadeia a tomar decisões mais seguras dentro do negócio.

Engloba as marcas Ideagri, líder em sistema de suporte à tomada de decisão para pecuária de leite; OnFarm, solução digital que ajuda na saúde do úbere; RúmiCorte, solução de tomada de decisão para pecuária de corte; RúmiCash, fintech voltada à cadeia do leite; RúmiEduca, programa de educação contínua; Rúmina Insights, plataforma de inteligência de dados; RúmiTank, tecnologia com base em sensores para monitoramento em tempo real do funcionamento do tanque de leite e o RúmiScore, o maior benchmarking de produtividade e sustentabilidade da pecuária de leite do Brasil.

Mais informações: www.rumina.com.br

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