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Coluna IILB Revista Leite Integral – De olho nos indicadores

Entender o contexto macroeconômico é fundamental para analisar os indicadores dos sistemas de produção de leite

A edição mais recente do IILB – Índice Ideagri do Leite Brasileiro, de número 8, foi disponibilizada no apagar das luzes de 2020. Nada faria mais sentido do que avaliar como o contexto macroeconômico impactou as fazendas avaliadas no IILB, neste ano inusitado.

Relembrar, em poucos tópicos, o que ocorreu no ano que “passou a perna” nas previsões de qualquer natureza, sejam mercadológicas ou climatológicas, é um grande desafio. Alguns pontos considerados mais relevantes para a cadeia produtiva do leite foram:

  • O receio inicial da queda no consumo fez com que muitos laticínios recomendassem a diminuição da produção;
  • O aumento no consumo de leite e derivados, principalmente em função do auxílio emergencial, mudou a dinâmica do mercado;
  • O preço do leite acompanhou o aumento do preço dos demais alimentos e repercutiu no preço pago ao produtor;
  • As condições climáticas, o fim dos estoques de volumosos, os recordes no valor da arroba de boi, as elevadas cotações do dólar, a escalada dos preços de insumos e o incremento na importação de lácteos pressionaram as margens da atividade leiteira, de maneira muito significativa.

Como tudo isso reflete nos sistemas de produção de leite? A resposta para esta pergunta, definitivamente, não é simples:

1) Muitos podem sair da atividade, tendência já pré-existente, de acordo com o último Censo Agropecuário.

2) Tantos outros podem buscar se profissionalizar e aprimorar, cada vez mais, a gestão de seus negócios, aumentando a eficiência do que acontece “dentro da porteira”.

Acreditamos que o retrato aqui apresentado reflete o segundo cenário, no qual produtores e técnicos buscam controles e índices, por meio da adoção de tecnologias, tais como a utilização de um sistema de gestão, o que influencia positivamente o negócio e facilita a qualificação para o IILB.

O IILB 8 avaliou o período de 12 meses, entre outubro de 2019 a setembro de 2020. Assim, boa parte dos meses considerados sofreram os efeitos da pandemia.

Com o intuito de avaliar a dinâmica dos rebanhos, da produção e da produtividade, a comparação dos dados do IILB 8 foi feita com os dados do IILB 4, que avaliou o mesmo período dos anos anteriores (outubro de 2018 a setembro de 2019). Dos 1.018 rebanhos contemplados pelo IILB 8, foram considerados para a análise 615 rebanhos, que também pontuaram no IILB 4.

PRODUÇÃO DIÁRIA DO REBANHO

A produção diária dos rebanhos, do IILB 4 para o IILB 8, aumentou 6,1% em relação ao volume total produzido. Isso representou um aumento de cerca de 213 mil quilos por dia, passando de 3.292.760 para 3.505.970 quilos/dia. Do total de rebanhos, 52% aumentou a produção diária, 23% manteve e 25% diminuiu a produção (Tabela 1).

Artigo

Pela análise deste indicador, a evolução foi positiva, considerando que 75% dos rebanhos avaliados aumentou ou manteve a produção de leite diária total.

PRODUÇÃO DIÁRIA POR MATRIZ

Aproximadamente 46% dos rebanhos aumentou a produtividade, cerca de 41% manteve e 13% diminuiu (Tabela 1). A média de produção por matriz passou de 23,3 no IILB 4 para 24,4 quilos/dia no IILB 8.

Este indicador mostra uma evolução positiva, já que 87% dos rebanhos avaliados aumentou ou manteve a produção média diária por vaca em lactação.

VOLUME DE VACAS EM LACTAÇÃO

O volume total de vacas em lactação aumentou 1,5 % entre o IILB 4 e o 8, passando de 137.945 para 140.116 matrizes. Aproximadamente 35% dos rebanhos aumentou o volume de vacas em lactação, cerca de 37% manteve e 28% diminuiu (Tabela 1). A média de vacas em lactação por rebanho aumentou de 224 para 228 matrizes do IILB 4 para o IILB 8.

Neste caso, avaliar se a evolução foi positiva ou negativa não é tão simples. A diminuição de vacas em lactação no rebanho não é necessariamente ruim. Pode, inclusive, ser positiva, por exemplo, se o rebanho aumentou a produção, a produtividade ou ambos. E isso realmente aconteceu, em muitas situações, de acordo com as análises combinadas (disponíveis no próximo tópico). Da mesma forma, o aumento do estoque de vacas em lactação não é necessariamente algo bom, caso a produtividade não tenha se mantido ou aumentado. No entanto, em linhas gerais, as variações no volume de vacas em lactação não se destacam de forma especial, visto que 72% dos rebanhos não diminuiu o volume de vacas em lactação.

O volume total de vacas (secas e em lactação) permaneceu praticamente o mesmo, com uma pequena variação para menos, de -0,2%, passando de 174.011 para 173.691, uma diferença de 320 matrizes: 35% dos rebanhos aumentou o estoque de vacas; 32% manteve e 33% diminuiu o estoque, entre o IILB 4 e o IILB 8.

ANÁLISES COMBINADAS

Pela combinação entre os fatores, 5 perfis mais se destacam (Tabela 2). Todas as situações podem ser verificadas no Gráfico 1.

Artigo

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EVOLUÇÃO DA NOTA IILB

A nota única do IILB foi utilizada com o intuito de avaliar como as fazendas evoluíram entre as edições, de uma forma mais abrangente, visto que a nota geral contempla 12 indicadores, de produção, reprodução e sanidade e se relaciona diretamente com o desempenho geral da fazenda.

A nota IILB média dos 615 rebanhos, aumentou de 4,2 para 4,5, entre a 4ª e a 8ª edição, representando 6,1% de melhoria. Aproximadamente 52% dos rebanhos aumentou suas notas, 15% manteve e 33% diminuiu (Tabela 3).

Artigo

Coincidentemente, a mesma evolução percentual no Índice Ideagri foi encontrada na produção de leite, o que corrobora a importância da nota como preditora do desempenho.

A nota IILB para os 1.018 rebanhos da 8ª edição foi de 4,38 pontos. Para os 615 rebanhos que participaram do IILB 4 e do 8, a nota na 8ª edição foi de 4,5 pontos. Para os demais 403 rebanhos, contabilizados apenas na 8ª edição, a nota média foi de 4,23. Isso pode ser um indicativo de que a monitoração dos dados, inclusive através do índice, gera frutos que poderão também ser colhidos, em breve, por quem passou a fazer acompanhamentos mais recentemente.

Pela análise da nota geral, a evolução foi positiva, levando em conta que 67% dos rebanhos avaliados aumentou ou manteve sua nota. No entanto, vale destacar que ainda existe uma ampla margem para melhoria, uma vez que a nota geral IILB vai até 10.

Tomando como base a combinação das variáveis produção total, produção média por vaca e volume de vacas em lactação, 66,5%, ou seja, 409 rebanhos, estão distribuídos em 5 perfis de mudança, conforme Tabela 2. O restante está distribuído em 12 outras combinações.

Para obter informações sobre os perfis da evolução das variáveis combinadas entre si, o desempenho em relação a todos os indicadores que compõem o IILB foi comparado para os 409 rebanhos (A, B, C, D, E) na Tabela 4.

Artigo

Para 8 dos 12 indicadores, o desempenho evoluiu entre as edições (itens destacados em azul na Tabela 4), para 1 indicador (DEL), o valor permaneceu praticamente o mesmo e para 3 indicadores o desempenho foi inferior (destacados em vermelho na Tabela 4).

EM LINHAS GERAIS, AS MUDANÇAS DO IILB 4 PARA O IILB 8 FORAM POSITIVAS

A maioria dos rebanhos avaliados teve uma variação positiva em produtividade e em produção, na comparação dos períodos. Os desafios externos, especialmente no segundo ano da análise, foram e continuarão sendo muito relevantes. Em situações assim, mais do que em quaisquer outros momentos, fazer a melhor gestão e atuar em todos os pontos possíveis são ações fundamentais para que a atividade seja sustentável e rentável.

Não há dúvidas da importância de “lutar a boa luta” para defender a cadeia, controlar importações, facilitar o acesso ao crédito, valorizar o produto, difundir tecnologias e assim por diante. Também é fundamental aprimorar os controles e a gestão baseada em indicadores. Os dados apresentados indicam, claramente, que os produtores profissionais estão trilhando esse caminho.


IILB

Assista ao vídeo sobre o Índice IDEAGRI do Leite Brasileiro (IILB) que vem mudando a forma como toda a cadeia produtiva no Brasil promove a avaliação do desempenho do setor. No vídeo, confira informações sobre a abrangência, metodologia e saiba como acessar as informações.

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