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Compost barn e mastite: o que precisamos saber?

Para que o compost barn expresse todos os seus benefícios é essencial garantir o correto funcionamento dos fatores que podem influenciar a alta nos casos de mastite.

O compost barn é um sistema de alojamento desenvolvido nos EUA na década de 80 e sua expansão e aderência também chamam atenção no Brasil nos últimos anos. No último levantamento Top 100 realizado pelo MilkPoint cujo intuito é identificar e analisar as 100 maiores propriedades leiteiras do Brasil, 29% delas relataram ser adeptas ao compost barn, ficando atrás apenas do free stall, com 48%.  

O sistema de alojamento do compost barn basicamente é composto por um galpão ventilado e internamente aberto com área de descanso comum para as vacas. O seu bom funcionamento depende da fermentação aeróbia da matéria orgânica pelas bactérias presentes na cama. Este processo ocorre por meio da mistura de uma fonte de carbono (como serragem, maravalha de madeira, casca de café) com material orgânico rico em nitrogênio (fezes/urina) através do revolvimento diário da cama, que deve ocorrer de duas a três vezes ao dia. 

Revolver a cama, juntamente com a ventilação constante, proporciona condições para infiltração de ar e manutenção dos níveis adequados de umidade. Tais fatores garantem a rápida degradação da matéria orgânica e proporcionam uma superfície seca e confortável para que as vacas possam deitar e se locomoverem. A prática evita a diminuição da temperatura da cama, vacas sujas, alta na Contagem de Células Somáticas (CCS) e risco de ocorrência de mastite.

Também vale a preocupação com a taxa de lotação, pois ela aumenta a compactação da cama, diminui o espaço para a circulação do ar e aumenta a quantidade de fezes e urina acima do ideal, o que pode provocar níveis indesejados de umidade, temperatura e pH. Assim, se esse item for indevidamente manejado, pode ser uma fonte de agentes patogênicos no ambiente. De maneira bastante resumida, o sistema – quando bem projetado – tem inúmeras vantagens, porém quando mal manejado pode estar associado a ocorrência de mastite ambiental.

Estudos apontam que o compost barn garante aos animais: maior conforto e higiene; redução na incidência de problemas nos cascos e pernas; diminuição de moscas e odores; redução na CCS; facilidade no manejo dos dejetos; aumento na detecção de cio e maior produção leiteira

CCS e compost barn

Pesquisadores acompanharam por 12 meses, após a implementação do compost barn, duas fazendas no sul de MG avaliando a contagem bacteriana total (CBT) e CCS do leite do tanque de refrigeração. Foi observado reduções de CCS e CBT e aumento na produção de leite e – dentre outras coisas – esse resultado foi associado principalmente a melhores condições de higiene das vacas antes da ordenha e no momento da mesma e melhoria do sistema imune dos animais devido a um ambiente mais confortável.

A conclusão desse estudo apresentado acima corrobora com outros ensaios que notaram redução na incidência de mastite ambiental pela melhoria das condições higiênicas das vacas no pré-ordenha. Também, em todos eles, foram citadas as questões do maior bem-estar animal como um dos pontos altos do sistema. 

Uma forma de mensurar o bem-estar animal, por exemplo, é o tempo em que os animais permanecem deitados. Há dados que apontam que vacas alojadas nesse sistema permanecem deitadas em média 9,3 horas por dia, mais tempo quando comparado ao sistema free stall. A cada hora a mais que o animal permanece deitado, há um aumento de 1,6 kg de leite por dia, porém, com a vaca deitada por mais tempo, provavelmente aumenta a exposição do úbere a patógenos ambientais, o que eleva o risco de mastite. Esse fato novamente demonstra a importância do correto manejo desse sistema. 

Sujidade dos animais, compost barn e mastite

Também é verdade que um compost barn bem manejado pode contribuir para uma menor sujidade de úbere e, consequentemente, reduzir os casos de mastite e contribuir para a melhoria na qualidade do leite. Em uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), foram avaliadas três fazendas em MG que implementaram o compost barn, sendo duas fazendas da região Sul do estado (municípios de Itamonte e Cruzília) e uma na região do Campo das Vertentes (município de Barbacena). O critério de inclusão das fazendas foi a adoção do compost como único tipo de confinamento para as vacas em lactação e o comprometimento com os protocolos do estudo. 

No período experimental, foi realizada avaliação da sujidade de úbere de todas as vacas em lactação antes da ordenha. A avaliação foi baseada em uma escala de 4 pontos, onde 1 foi considerado limpo (sem sujeira), 2 foi considerado pouco sujo (2 a 10% de sujidade), 3 foi considerado moderadamente sujo (10 a 30% de sujidade) e o escore 4 foi considerado muito sujo (mais de 30% de sujidade). A avaliação foi realizada por um único avaliador durante todo o período do estudo.

Em todas as fazendas, a maioria das vacas permaneceu limpa (escore 1) ou levemente suja (escore 2) durante o período do estudo. A média dos escores de sujidade foi de 1.8, 1.9 e 1.5 nas fazendas 1, 2 e 3, respectivamente (Figura 1).

Figura 1 – Escore de sujidade do úbere (percentual). 

O escore 1= sem sujeira, 2= 2 a 10% de sujidade, 3= 10 a 30% de sujidade e 4=mais de 30% de sujidade.

Isso reforça a importância da reposição da cama antes do composto ficar úmido a ponto de formar torrões e um manejo ineficiente nesse sentido deixa a cama mais úmida, podendo aumentar a sujidade dos animais. Nas fazendas estudadas, o escore de sujidade apresentou relação com a incidência de estreptococos ambientais e pode ser uma ferramenta auxiliar para o controle desses patógenos na rotina das fazendas que utilizam o compost barn.  

É importante destacar que em decorrência da alta concentração de bactérias encontradas na cama do composto é também recomendado a adoção de rigorosos procedimentos de higiene antes e após a ordenha, fato que também pode associar o compost barn com a menor CCS.  

Após a revisão apresentada nesse texto, fica claro que o compost barn possibilita benefícios para os produtores de leite desde quando se pensa em produtividade e qualidade do leite até menores prejuízos econômicos, principalmente devido à redução nos casos de mastite. Mas, para que o sistema seja eficaz é fundamental garantir o adequado funcionamento de todos os fatores que podem influenciar a maior incidência de mastite. O correto manejo da cama, umidade e temperatura adequadas resultam numa menor concentração de patógenos ambientais, melhor higiene dos animais e redução do risco de mastite ambiental.

Além disso, é necessário conhecer quais são os patógenos envolvidos nos casos de mastite por meio da cultura microbiológica na fazenda, a prevalência de vacas infectadas no rebanho e identificar outros fatores que estão relacionadas a ocorrência de mastite, como a rotina de ordenha, e não somente aqueles relacionados ao compost barn. Com isso, o produtor consegue direcionar os seus esforços no real foco do problema da sua fazenda quando se pensa em casos de mastite.

Sobre a OnFarm

A OnFarm traz uma solução simples, inovadora e única, que permite a identificação da causa da mastite em 24 horas, na própria fazenda, através da cultura microbiológica. Conhecer o agente de forma rápida é indispensável para o sucesso de qualquer programa de controle da mastite. A tecnologia acredita no empoderamento dos produtores, para que tomem decisões cada vez mais assertivas. O produtor em primeiro lugar, sempre. Para mais informações acesse: https://onfarm.com.br/ ou entre em contato no WhatsApp (19) 97144-1818 ou e-mail: contato@onfarm.com.br | Acompanhe nas redes sociais: Instagram | Facebook | LinkedIn | Youtube

O que lemos para escrever esse artigo:

  1. BARBERG, A.E., M.I. ENDRES, J.A. SALFER, AND J. K. RENEAU. Performance, health and well-being of dairy cows in an alternative housing system in Minnesota. J. Dairy Sci. 90:1575-1583, 2007.

  2. BRITO, E.C. Produção intensiva de leite em compost barn. Uma avaliação técnica e econômica sobre a sua viabilidade. Dissertação submetida ao Programa de Mestrado Profissional em Ciência e Tecnologia do Leite e Derivados da Universidade Federal de Juiz de Fora, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre, 2016.

  3. FERREIRA, B.H.A; RIBEIRO, L.F. Mastites causadas por Escherichia coli, Klebsiella spp. e Streptococcus uberis relacionadas ao sistema de produção Compost Barn e o impacto na qualidade do leite. GETEC, v.11, n.35, p.1 -18/2022.

  4. FONSECA, M.D.M. Dinâmica da mastite e saúde do úbere de vacas leiteiras em sistema compost barn sob condições tropicais. 2017. 63p. (Dissertação de Mestrado, Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias), Universidade Federal de Lavras/MG, 2017.

  5. FREGONESI, JA. & LEAVER, JD. Behaviour, performance and health indicators of welfare for dairy cows housed in strawyard or cubicle systems. Livestock Production Science, 68, p205-216. 2001.

  6. GRANT, R. 2007. Taking advantage of natural behavior improves dairy cow performance. Pages: 225-236 in Proc. Western Dairy Management Conf., Reno, NV.

  7. SANTOS, M.V. Compost barn vs free stall: diferenças de ocorrência de mastite e conforto, MilkPoint, 2016. Disponível em: <https://www.milkpoint.com.br/colunas/marco-veiga-dos-santos/compost-barn-vs-free-stall-diferencas-de-ocorrencia-de-mastite-e-conforto-206035n.aspx>. Acesso em: 29/08/2022.

  8. SERPA, M; GONSALES, S. Levantamento Top 100 2022, os 100 maiores produtores de leite do Brasil. Disponível em: <https://www.milkpoint.com.br/top100/top100-2022.pdf?utm_source=top100&utm_medium=download&utm_campaign=marco-2022>. Acesso em: 29/08/2022.

Autora do artigo: Raquel Maria Cury Rodrigues, zootecnista pela Unesp de Botucatu e especialista em Gestão da Produção pela Ufscar.

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