O tratamento de mastite subclínica durante a lactação é viável?

Qual será o custo-benefício do tratamento da mastite subclínica ao longo da lactação? Será que são todos os patógenos que respondem bem às terapias disponíveis? 

 

Não é novidade que controlar a mastite no rebanho é um grande desafio para os produtores de leite, ainda mais, quando eles se deparam com infecções ao longo da lactação. Quando falamos sobre mastite subclínica, é comum inclusive que a fazenda perca o bônus por qualidade devido a alta Contagem de Células Somáticas (CCS), algo que pode acabar impactando na rentabilidade da fazenda.

 

As estratégias de prevenção sempre são mais interessantes e econômicas que o tratamento. No entanto, para que este último seja eficiente, a decisão de tratar ou não os casos subclínicos durante a lactação envolve uma série de fatores, algo que será discutido neste artigo.

 

Durante a lactação, as vacas com mastite subclínica devem ou não ser tratadas?

 

Um dos primeiros pontos a ser avaliado para responder a questão acima é o custo de oportunidade do tratamento. A decisão de se tratar ou não a mastite subclínica deve ser feita com base no custo-benefício de cada situação e em relação ao tipo de patógeno envolvido.

 

Vale destacar a importância da cultura microbiológica nos animais que tiveram aumento na CCS ou que apresentaram resultado positivo no California Mastitis Test (CMT). Hoje, com soluções inovadoras disponíveis no mercado, o produtor de leite conta com várias facilidades para realizar a (https://onfarm.com.br/cultura-microbiologica-na-fazenda-ajuda-no-diagnostico-assertivo-e-contribui-para-80-de-reducao-dos-custos-com-tratamento-para-mastite/), como laboratório portátil, treinamentos remotos e até aplicativo no celular com inteligência artificial, que reconhece por meio de uma foto qual é o agente causador da mastite, elevando assim, o controle da doença a outro patamar.

 

Essa conduta contribui para saber o que há de errado com a vaca em questão e agir diretamente na base do problema, já que permite diagnósticos rápidos e automáticos, saber qual a probabilidade da cura do caso e até mesmo, quais são os tratamentos que mais têm sido utilizados por outros produtores para casos semelhantes.

 

É interessante reforçar que o CMT é uma ferramenta que deve ser explorada caso a vaca seja elegível para passar por tratamento, pois ajuda a direcionar em quais quartos mamários ela precisará de cuidados, evitando aqueles que não necessitam. Também, direciona para os tetos que realmente estão com a CCS alta.

 

Cada plantel possui suas próprias características e além de conhecer o microrganismo envolvido, alguns itens também devem ser levados em consideração para a justificativa ou não de se tratar, como por exemplo, a (https://onfarm.com.br/cura-espontanea/), histórico e idade dos animais, estado de saúde geral da vaca, entre outros.

 

Cabe ressaltar que, normalmente, os produtores tendem a tratar casos crônicos e que apresentam CCS alta por muito tempo, porém, essas situações possuem menores chances de cura comparado a vacas com contágios recentes, ou seja, que estavam sadias e adquiriram uma nova infecção (a CCS estava baixa e no último exame, deu alta).  Nesse último caso apresentado, elas passam a ser prioridade na escala de escolha do tratamento, pois possuem maior possibilidade de cura após o protocolo.

 

De qualquer maneira, as principais medidas de controle que podem ser tomadas em relação à mastite subclínica durante a lactação incluem: tratamento com antimicrobianos; segregação da vaca infectada; secagem permanente de quartos infectados e descarte da vaca.

 

No entanto, cada uma dessas medidas apresenta consequências. Por exemplo, o tratamento com antimicrobianos nem sempre é efetivo e está associado com descarte de leite de todas as glândulas mamárias durante o período de carência do medicamento. Por isso, a decisão de tratar ou não os animais deve ser bem analisada antes.

 

Streptococcus  agalactiae

 

Há vários agentes causadores de mastite subclínica e eles podem ser divididos em contagiosos e ambientais. A bactéria Streptococcus agalactiae apresenta perfil contagioso e junto com (https://onfarm.com.br/caes-mastite-staph-aureus/) representam quase 35% dos agentes causadores de mastite subclínica em vacas com CCS alta, pós parto e na (https://onfarm.com.br/como-e-quando-secar-o-quarto-mamario-de-uma-vaca-em-lactacao/), segundo um estudo conduzido pela OnFarm com base nos dados da comunidade dos OnFarmers, produtores que utilizam o sistema de cultura na fazenda. Quando abordadas as análises apenas de vacas com CCS alta, essa porcentagem sobe para 40%.

 

É interessante destacar que Streptococcus agalactiae é uma bactéria gram-positiva estritamente contagiosa entre as vacas, porém, a mastite subclínica causada por esse patógeno é a situação que permite o maior benefício para o uso de tratamento durante a lactação, pois a taxa de cura é elevada. Isso se deve ao fato da ótima resposta aos antibióticos, apresentando uma taxa de cura maior que 90%.

 

Mesmo assim, é de extrema importância que a fazenda capriche nas medidas de prevenção já que existe a possibilidade de o agente voltar a infectar vacas no rebanho após o tratamento. A prevenção é sempre inevitável para qualquer propriedade e qualquer microrganismo que resolva importuná-la e a gestão contribui muito nesse processo. O produtor passa a controlar de perto o seu negócio e gerir inclusive a saúde do seu rebanho.

 

Já quando a contaminação ocorre por S. aureus, a sugestão é a segregação dos animais e a identificação das fontes de infecção, isso porque essa bactéria caracteriza-se por baixa taxa de cura e a (https://onfarm.com.br/uso-racional-de-antibioticos-controle-da-mastite-e-mais-qualidade-no-leite-sao-alguns-dos-resultados-da-parceria-entre-frisia-e-onfarm/).

 

As vacas infectadas atuam como fontes de infecção permanente e (https://onfarm.com.br/o-que-voce-precisa-saber-sobre-s-aureus/)pode ser transmitido durante toda a lactação, fato que não prioriza inicialmente esses animais ao tratamento. Também, na maioria das fazendas, são as principais causas de mastite subclínica crônica.  Assim como já apontado anteriormente, a decisão de tratar casos subclínicos crônicos de mastite causada por S. aureus deve também levar em conta os custos com o tratamento e o descarte de leite com resíduos.

 

De acordo com Eduardo Pinheiro, Diretor Técnico da OnFarm, a presença de Streptococcus uberis no rebanho também aumenta a CCS de tanque, assim como os animais infectados podem apresentar mastites crônicas e recorrentes. “As maiores chances de cura de um caso de mastite por essa bactéria é no momento da secagem, porém, algumas pesquisas mostraram que infecções recentes por esse patógeno, principalmente em primíparas, são candidatas ao tratamento. No caso, deve-se privilegiar os animais de 1ª ou 2ª lactação, com infecção recente e de DEL (dias em lactação) mais baixo. A prioridade são as vacas que estavam com a CCS baixa, surgiu uma nova infecção, a CCS subiu e o produtor identificou S. uberis na cultura”, completou.

 

Ainda sobre os dados oriundos dos (https://onfarm.com.br/cultura-na-fazenda-em-tempos-de-crise/), vale destacar que eles podem ser importados para sistemas de gestão por meio do número ou brinco eletrônico do animal, fato que facilita o gerenciamento da fazenda. O Índice Ideagri de Leite Brasileiro (IILB), referência sobre qualidade e eficiência produtiva da pecuária leiteira nacional, mostra que o setor ainda tem muito para crescer e - conforme o mais atual boletim publicado pela Ideagri, empresa que o desenvolve - na pecuária moderna, as fazendas que se destacam são as que sabem realizar uma gestão inteligente de dados.

 

A Ideagri reforçou em um dos seus artigos veiculado em seu site que, no seu ponto de vista, a mastite é um dos maiores problemas sanitários na pecuária leiteira - senão o maior - gerando grandes prejuízos econômicos para a atividade. De acordo com a empresa, aprender a utilizar de forma completa os softwares disponíveis, proporciona ao produtor um robusto e confiável banco de dados, o que contribui para a geração de relatórios e diversas e interessantes análises.

 

Como é possível notar, conclui-se que a escolha de tratar ou não os casos de (https://onfarm.com.br/mastite-subclinica/) durante a lactação passa por uma análise personalizada de cada situação, sempre focando na avaliação dos custos e possíveis benefícios alcançados. Cabe ao produtor se informar sobre o tema e contar com o auxílio de profissionais e ferramentas que o auxiliem na tomada de decisão.

 

Sobre a OnFarm

A OnFarm traz uma solução simples, inovadora e única, que permite a identificação da causa da mastite em 24 horas, na própria fazenda, através da cultura microbiológica. Conhecer o agente de forma rápida é indispensável para o sucesso de qualquer programa de controle da mastite. A tecnologia acredita no empoderamento dos produtores, para que tomem decisões cada vez mais assertivas. O produtor em primeiro lugar, sempre. Para mais informações acesse: (https://onfarm.com.br/) ou entre em contato no WhatsApp (19) 97144-1818 ou e-mail: contato@onfarm.com.br | Acompanhe nas redes sociais: (https://www.instagram.com/onfarmbr/?hl=pt) | (https://pt-br.facebook.com/OnFarmBR/) | (https://br.linkedin.com/company/onfarmbr) | (https://www.youtube.com/c/OnFarmBR/videos)

 

Autoria do texto: Raquel Maria Cury Rodrigues, Zootecnista pela Unesp de Botucatu e Especialista em Gestão da Produção pela Ufscar.

 

Referências bibliográficas

 

SANTOS, M. V. A mastite subclínica deve ser tratada durante a lactação? - Parte 1, MilkPoint, 2005. Disponível em: https://www.milkpoint.com.br/colunas/marco-veiga-dos-santos/a-mastite-subclinica-deve-ser-tratada-durante-a-lactacao-parte-1-27012n.aspx. Acesso em: 19/04/2022.

SANTOS, M. V. A mastite subclínica deve ser tratada durante a lactação - Parte 2, MilkPoint, 2006. Disponível em: https://www.milkpoint.com.br/colunas/marco-veiga-dos-santos/a-mastite-subclinica-deve-ser-tratada-durante-a-lactacao-parte-2-27172n.aspx. Acesso em: 19/04/2022.

SANTOS, M.V; TOMAZI,T. Novas estratégias para manejo e tratamento da mastite subclínica durante a lactação, MilkPoint, 2013. Disponível em: https://www.milkpoint.com.br/colunas/marco-veiga-dos-santos/novas-estrategias-para-manejo-e-tratamento-da-mastite-subclinica-durante-a-lactacao-205306n.aspx. Acesso em: 19/04/2022.