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Xapetuba – a passos largos

Há aproximadamente uma década na atividade leiteira, a Fazenda Xapetuba já é referência em gestão, produção e melhoramento genético da raça Girolando. Quem acompanha os avanços da cadeia do leite no Brasil, especialmente nos últimos anos, muito provavelmente já associa o nome da região de Xapetuba, no município de Uberlândia, a um projeto de pecuária leiteira moderna e de alta tecnologia, características que são importantes marcas da Fazenda. Por meio do sucesso dos empreendimentos, a propriedade honra o nome da localidade que escolheu para investir e desenvolver suas diversas atividades no agronegócio. Confira mais informações sobre a trajetória da fazenda, que é parceira e usuária do Ideagri, na Reportagem publicada na Revista Leite Integral.

A história da Xapetuba Agropecuária já passa de três décadas com a produção de suínos, aves e uma central de receptoras. A proposta de produzir leite, no entanto, teve início em 2008, quando os proprietários José Antônio da Silveira e seu filho Thiago Bianchi Silveira adquiriram 30 doadoras das raças Gir Leiteiro e Girolando de rebanhos reconhecidos nacionalmente pela genética superior. A partir daí, resolveram encerrar as atividades da central de receptoras e utilizar esse banco de animais para fazer o próprio plantel com o uso da fertilização in vitro (FIV). Já no ano seguinte nasciam as bezerras que seriam o início do rebanho, hoje referência na produção de leite e genética no Brasil.

No ano de 2010 começaram as obras para construção das benfeitorias e em 2011 iniciou-se a produção de leite na propriedade. Nessa época, foram construídas pistas de alimentação em piquetes e uma ordenha tipo espinha de peixe com capacidade para ordenhar 12 animais ao mesmo tempo. Até o final do ano passado, a Fazenda contava com sistema de confinamento em piquete com pista de alimentação.

O início deste ano foi marcado pela inauguração de 2 galpões de compost barn, com o objetivo de oferecer todas as condições à exploração do potencial genético das vacas da propriedade, além de proporcionar bem-estar aos animais. “Depois da construção dos compost barn observamos a diminuição dos casos de mastite, principalmente a ambiental, e temos a expectativa de melhorar a contagem de células somáticas média”, ressalta Thiago. Nesse sistema, o custo por vaca alojada foi de R$ 3.125,00.

O alto investimento em genética é marca registrada dessa curta e já bem-sucedida história da Xapetuba no leite. Ao longo desses anos, muitos animais de alto valor genético foram adquiridos e se tornaram base para a multiplicação do rebanho na busca de fêmeas superiores para a composição do seleto plantel da Fazenda.

A produção de leite ocupa 400 hectares (ha) da propriedade, sendo eles divididos em 280 ha de lavoura, 100 ha de pastagens e 20 ha de benfeitorias. O planejamento, a funcionalidade das instalações e a dedicação dos colaboradores nas tarefas diárias devem servir de inspiração para quem busca o sucesso na atividade leiteira. É de “encher os olhos” o zelo e o carinho da equipe no desenvolvimento das rotinas de trabalho, sinalizando que além dos investimentos em genética, manejo, nutrição e tecnologia, os gestores da propriedade dedicaram especial esforço no treinamento e motivação da mão de obra. Os 40 funcionários se dividem por setores e garantem o funcionamento das atividades.

Sócio-administrador da Agropecuária Xapetuba, Thiago Silveira é a segunda geração à frente na linha de sucessão da empresa

PRODUÇÃO E MANEJO

O rebanho da propriedade possui animais da raça Girolando de diferentes graus sanguíneos (80% de animais ½ sangue e 20% de ¾). São 2400 animais, sendo 850 vacas em lactação, 200 vacas secas, 500 novilhas e 700 bezerras, além de 150 tourinhos. Há também algumas matrizes da raça Gir Leiteiro doadoras de genética.

A produção atual é 21.500 litros de leite/dia, em sistema de ordenha tipo espinha de peixe, com capacidade para 24 vacas ao mesmo tempo. Os animais são ordenhados três vezes por dia, produzindo média de 25 litros por vaca/dia. Por cerca de 30 minutos, antes de cada ordenha, os animais recebem aspersão/ventilação na sala de espera, buscando garantir o conforto térmico necessário ao bem-estar e à produção.

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Rebanho de produção é composto majoritariamente por vacas da raça Girolando ½ sangue Ordenha tipo espinha de peixe com capacidade para 24 vacas

QUALIDADE DO LEITE

O controle de mastite e da qualidade do leite é feito pela análise individual da Contagem de Células Somáticas (CCS) de todas as vacas, e cultura nos casos de mastite. Além disso, um técnico visita a propriedade mensalmente, analisa e discute os resultados, e promove treinamentos com a equipe.

O leite entregue pela propriedade possui gordura de 4,25 g/ml e proteína de 3,49 g/ml.

REPRODUÇÃO

A técnica mais utilizada na fazenda é a inseminação artificial, porém algumas vacas são selecionadas para a reprodução por meio da FIV para produção de animais da raça Gir e Girolando. O acasalamento é dirigido e feito por duas centrais de biotecnologias reprodutivas. Os pilares do programa de melhoramento genético da Fazenda Xapetuba são: produção de leite, melhoria na saúde e conformação de úbere.

Atualmente, a taxa de concepção das vacas é de 30% e a taxa de prenhez média, ao longo de 2018, foi de 22%.

DA VACA SECA À MATERNIDADE

A secagem das vacas é feita 60 dias antes da data prevista para o parto e em alguns casos esse manejo pode ser realizado antes do planejado em função de baixa produção. As vacas secas são levadas para um piquete com pastagem no período das águas. Já nas épocas secas do ano, esses animais recebem uma alimentação no cocho composta por silagem de milho, sorgo reidratado, farelo de soja e núcleo. Cerca de 30 dias antes do parto as vacas são levadas para um galpão de compost barn onde são alimentadas com a mesma dieta dos animais em lactação, mais núcleo aniônico. Esse manejo se repete para as vacas alojadas na maternidade

MANEJO DE BEZERRAS

Durante o dia, todos os partos são acompanhados. Assim que as bezerras nascem são realizados os cuidados iniciais, especialmente, cura de umbigo e a administração de colostro. Todo colostro, antes de ser fornecido, é analisado em um refratômetro de brix para avaliar sua qualidade e apenas colostros bons são administrados às bezerras ou congelados para o banco de colostro.

Cada animal é colostrado com, no mínimo, 10% do peso vivo, o que totaliza, em média, cerca de 4 litros/ bezerra. Passadas 48 horas da colostragem é avaliada a transferência de imunidade passiva pelo refratômetro de brix.

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A partir do terceiro dia de vida as bezerras são realocadas para bezerreiro com camas de material orgânico Bezerreiro coletivo da propriedade oferece conforto aos lotes composto por aproximadamente 15 animais Baia individual suspensa onde as bezerras permanecem por três dias após o nascimento

RECRIA E NOVILHAS

Na fase de recria os animais ficam em piquetes com acesso ao cocho e recebem uma dieta composta por silagem de milho, farelo de soja e sorgo reidratado, permanecendo nesse sistema até se tornarem novilhas aptas à reprodução.

Quando chegam nessa fase, os animais são levados a piquetes sem acesso ao cocho para complementar a dieta, recebendo apenas um suplemento proteico. Pesando cerca de 330 kg, as novilhas são liberadas para sua primeira inseminação. A taxa de concepção média delas é de 45%.

O FUTURO

A Xapetuba Agropecuária é um condomínio familiar no qual a segunda geração já está presente. Thiago é o gestor da fazenda. Uma de suas irmãs é responsável pelo administrativo/financeiro da propriedade e os outros dois irmãos estão em outras empresas do grupo. A sucessão já está consolidada. Um fórum familiar está promovendo um trabalho de governança corporativa na empresa.

As metas da propriedade, a curto prazo, são ordenhar mil vacas e aumentar a média produzida para 30 litros/dia/animal. A Fazenda espera ainda, quando estabilizar a produção, conseguir fazer toda reposição do plantel e disponibilizar um volume maior de animais para venda ao mercado com genética superior.

Fonte: Revista Leite Integral – março/2019

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