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Fazenda Fazendinha: um ‘fazendão’

A Fazenda Fazendinha, cliente e parceira IDEAGRI, tem sua trajetória destacada na edição de dezembro da Revista Leite Integral. O texto, muito bem elaborado por Wender Machado, demonstra os principais aspectos do crescimento da produção de leite na propriedade, baseada na eficiência na gestão e no uso de tecnologias que garantem condições para a boa produtividade dos animais. Confira alguns pontos da publicação e saiba como assinar a revista!


A tradicional sede bicentenária da Fazenda Fazendinha, em Três Corações/MG, contrasta com a modernidade e os avanços tecnológicos que a propriedade vem experimentando nos últimos anos. Quem vê a produção diária de mais de 10.000 litros de leite, animais alojados em Compost Barn com sistema de resfriamento por aspersão e ventilação, tudo controlado de modo automático, provavelmente nem imagina como foi difícil o início na atividade leiteira. Pai e filho, responsáveis por colocar a propriedade no patamar atual, são de gerações bem diferentes, um adepto ao caderno de anotações, o outro, atento às planilhas, gráficos, indicadores e sistemas de gestão no computador.

Quer conhecer o sistema utilizado na Fazenda Fazendinha? Clique AQUI.

Sistema IDEAGRI na Fazenda Fazendinha

A Fazenda Fazendinha foi uma das pioneiras na utilização do sistema de gestão Ideagri, sendo usuária do sistema desde 2011. Confira o depoimento do proprietário Júlio César:

“Na época eu morava em Belo Horizonte e atuava como engenheiro do grupo Fiat. A única maneira de conseguir acompanhar os resultados da fazenda era através do ideagri web. Tenho usado o sistema, desde então, e estou muito satisfeito com as ferramentas e parceria da Equipe Ideagri.”

Nas 4 edições já realizadas do Índice Ideagri do Leite Brasileiro (IILB), a propriedade obteve o segundo melhor resultado nos seus indicadores, tendo recebido uma premiação como reconhecimento seu sucesso (imagem ao lado).

O que é o IILB?

Fundamentado em um volume significativo de fazendas amplamente distribuídas pelo país, e em dados coletados por meio de um sistema altamente confiável (Software de gestão Ideagri), o IILB é um indicador unificado, com base em vários parâmetros produtivos, reprodutivos e sanitários, com limites personalizados por perfis de rebanho, que permite ranquear todas as fazendas consideradas dentro de uma mesma base comparativa.

O Índice Ideagri do Leite Brasileiro (IILB) chegou para mudar a forma como toda a cadeia produtora do leite no Brasil promove a avaliação do desempenho do setor no país.

Quer saber mais sobre o IILB? Clique aqui!


TRAJETÓRIA DE MUITO TRABALHO, PROFISSIONALISMO E SUCESSO

A evolução da produção na Fazenda Fazendinha, sobretudo nos últimos três anos, impressiona. Em 2015 eram produzidos em média no ano cerca de 3.500 litros/leite/dia, volume que dobrou em 2018 e deve finalizar neste ano com média, no período, de 9.000 litros por dia. Esses números representam um crescimento médio anual bem acima de 30%, o que deixa Júlio César orgulhoso ao perceber que a propriedade tem dado resultado. “É claro que para chegarmos nessa evolução tivemos que fazer investimentos. E isso consiste em aumentar a complexidade da operação da atividade leiteira”. Segundo ele, só foi possível incrementar a produção de tal modo, sem perder o controle dos custos e da rotina, pela disponibilidade de ferramentas e sistemas de gestão disponíveis, que permitem o acompanhamento dos processos por meio dos dados, possibilitando tomar a atitude correta no tempo certo. ­

A FAZENDA

Localizada em uma região de terras extremamente férteis e que oferece condições ao plantio mecanizado, a Fazenda Fazendinha destina a maior parte dos 266 hectares (ha) ao cultivo de milho para silagem. O café ainda ocupa 25 ha. Com grande capacidade de produção de alimentos, a propriedade tem se tornando uma referência na atividade leiteira e recentemente ultrapassou a marca dos 10.000 litros de leite por dia, com 286 vacas holandesas em lactação. As fêmeas lactantes e as que estão a menos de 30 dias da data prevista para o parto ficam alojadas em duas unidades Compost Barn com capacidade para 180 animais cada. As instalações contam com sistema de resfriamento por meio de ventiladores e aspersores na linha de cocho de alimentação. Esses aspersores são programados para acionamento a cada três minutos e 30 segundos, permanecendo em funcionamento por 30 segundos no ciclo.

O antigo Free Stall que foi o divisor de águas para a ampliação da produtividade no passado, hoje abriga as vacas secas e novilhas que estão com mais de 30 dias da previsão de parto. O espaço para ordenha conta com sala de espera equipada com aspersores, sendo os animais ordenhados três vezes ao dia em sistema de ordenha tipo espinha de peixe, duplo 8×8 conjuntos.

Visando a destinação correta dos dejetos, a propriedade dispõe de duas caixas de decantação e dois tanques impermeabilizados onde é armazenada a porção líquida dos resíduos gerados pela atividade. Esse material é utilizado para fertirrigação de piquetes, enquanto a parte sólida dos dejetos substitui parcialmente o adubo na lavoura de milho.

Adilson e Júlio César, pai e filho, proprietários da fazenda.

CRIA E RECRIA

Os partos ocorrem no Compost Barn, em uma ala destinada às fêmeas em fase final de gestação. Assim que nascem, os animais recebem colostro o mais rápido possível, após o alimento passar pelo controle de qualidade. A Fazenda conta com banco de colostro, tendo estoque para ofertar a defesa que essas jovens bezerras precisam nos primeiros dias de vida. A propriedade faz bem o dever de casa (Figura 1), pois além da correta colostragem, os funcionários responsáveis pelo setor anotam informações essenciais ao monitoramento do animal nessa fase, como a hora do nascimento e do fornecimento do colostro, volume e qualidade do alimento ingerido, além da coleta de sangue para avaliar a eficiência do processo. ­

O correto manejo do colostro é fundamental para a sobrevivência dos animais nos primeiros dias de vida. Anotações favorecem o monitoramento das bezerras nessa fase

As fêmeas em aleitamento permanecem por 70 dias em gaiolas suspensas, onde recebem água limpa à vontade, alimento concentrado peletizado, além de seis litros de leite/dia até 15 dias de vida, quando passam a se alimentar com 8 L diariamente, tendo esse volume reduzido para 4 L de leite após 45 dias de nascimento, fase a partir da qual recebem também silagem de milho em meio à ração concentrada. Aos 60 dias, as bezerras param de tomar leite, permanecendo nas gaiolas e se alimentando de ração com silagem de milho por mais 10 dias para minimizar o estresse da desmama.

Após o desaleitamento, pesando 80 kg em média, as fêmeas seguem para um dos sete piquetes disponíveis na Fazenda para os animais em recria.Esses espaços são divididos com base na faixa etária e crescimento das bezerras, sendo ordenados em sequência, com uma balança no final dos módulos para pesagem e acompanhamento da evolução das fêmeas nessa fase, procedimento que é realizado uma vez por mês.

Ao atingirem 350 kg, por volta de 15 meses, as  novilhas são consideradas aptas à reprodução e após serem examinadas por um médico veterinário, recebem uma dose do hormônio Prostaglandina F2 Alfa, passando a serem observadas mais intensamente para detecção da manifestação de cio, momento em que são inseminadas artificialmente (IA) com sêmen sexado de fêmea. Passados 26 dias da IA, é realizado o diagnóstico de gestação e as novilhas que estiverem vazias entram em protocolo para serem inseminadas em tempo fixo (IATF). Esse manejo tem possibilitado avanços nos índices reprodutivos, conforme demonstra a Tabela 1.

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Nos últimos 12 meses, a Fazenda registrou mais de 300 partos, garantindo um número elevado de animais jovens atualmente, 318, que somados às 286 vacas em lactação e 35 vacas secas, totalizam 639 animais no rebanho da Fazendinha. A previsão de nascimentos até o meio do próximo ano pode ser observada no Gráfico 1. Como o objetivo é ampliar o número de vacas em produção, a propriedade tem optado por não vender animais jovens.

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PRÉPARTO, PARTO E LACTAÇÃO

Faltando 30 dias para a data prevista para o parto, as vacas são transferidas do Free Stall, onde ficam após o encerramento da lactação, para o Compost Barn. Os nutricionistas que atendem a propriedade formulam dieta acidogênica (conhecida como dieta aniônica) particularmente para essa categoria, visando minimizar distúrbios metabólicos no pós-parto, especialmente a hipocalcemia. ­

A eficácia dessa dieta é monitorada por meio de aferição do pH da urina, de 14 em 14 dias, e dependendo dos resultados é realizado o ajuste nutricional.

Os partos são acompanhados no Compost Barn e após a parição as fêmeas são ordenhadas o mais rápido possível para retirada do colostro para fornecimento aos recém-nascidos. A Fazenda faz monitoramento de corpos cetônicos nos animais por alguns dias após o parto, principalmente para verificar as concentrações sanguíneas de -hidroxibutirato (BHB) com o objetivo de identificar quadros de Cetose. ­

Os animais lactantes, alojados no Compost Barn, recebem dieta única, independente da fase e do volume de produção. “Fizemos a opção por essa estratégia nutricional para evitar as frequentes mudanças de lote”, explica Júlio César. A propriedade tem à disposição equipamentos para a mistura dos alimentos com base na formulação da chamada dieta total. Além da silagem de milho e do grão úmido armazenados em silos do tipo trincheira na Fazenda, soja, caroço de algodão, polpa cítrica e núcleo mineral compõem a ‘batida’ no vagão misturador para ser ofertada ao rebanho leiteiro quatro vezes ao dia. A proteína bruta (PB) da dieta é 16,7%.

A reprodução dos animais em lactação é realizada com base em protocolos de IATF e as fêmeas obedecem a um período de espera voluntário (PEV) de 60 dias após o parto, a partir do qual estão aptas a ingressarem no manejo reprodutivo visando a concepção. As vacas são inseminadas com touros holandeses, boa parte deles genotipados para -caseína A2A2. Atualmente o rebanho está com DEL (dias em lactação) de 187, em média, e as vacas são secas faltando 60 dias para a data do parto.

AS PESSOAS E A GESTÃO

Sete prioridades norteiam a produção na Fazenda Fazendinha: criação (cria e recria), alimentação, sanidade, reprodução, conforto, ordenha e período de transição. Mas, além desses pilares, os proprietários revelam outros pontos fortes do empreendimento. Um deles quem conta é Adilson, cheio de orgulho. “Tem funcionário que trabalha conosco há quase 25 anos e a média de tempo na Fazenda entre os 10 colaborares é de 14 anos”. Outro trunfo, de acordo com Júlio César, é o foco na gestão, que envolve não apenas quem comanda o negócio, mas todos os funcionários.“Nos reunimos com eles semanalmente, apresentamos e discutimos os índices para que cada um entenda a importância do seu trabalho e, mais do que isso, saiba o impacto do seu papel nos resultados da atividade”, explica.

Darlan Rogério Ferreira, supervisor da produção de leite, tem 45 anos e desde os 21 é funcionário da Fazenda. Ele viveu as diversas mudanças pelas quais a propriedade passou e revela que “desse jeito, ‘dentro da técnica’, é melhor de se trabalhar. Os animais são mais bem-criados e adoecem menos”, comemora.

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MAIS SAÚDE, BEM-ESTAR E PRODUÇÃO

Não é segredo para quem vive da atividade leiteira que a mastite é uma doença que compromete a produção e o bem-estar animal, causando enormes prejuízos econômicos aos produtores. A Fazenda Fazendinha tem como meta ultrapassar, já em 2020, a marca dos 11.000 litros de leite média/ano. E para isso considera fundamental controlar a enfermidade, bem como promover o uso racional de antimicrobianos para tratar a afecção. Nesse contexto, no último mês de novembro, a propriedade iniciou um trabalho de cultura microbiológica na própria Fazenda para identificação de agentes causadores de mastite, possibilitando um tratamento direcionado para categoria de microrganismos identificado na cultura, ou até mesmo tomar a decisão de não tratar determinados animais e adotar outras estratégias como o descarte ou secagem de quartos mamários.

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