Contato

Crise e oportunidade caminham juntas

Transformar as dificuldades do dia a dia em oportunidades. Com esse pensamento, Rita Martins Lohmann, proprietária da Fazenda Iraí dos Buritis (MG) – cliente e parceira IDEAGRI, toca seu negócio com muita garra e o apoio da família. A fazenda possui 969 ha, com um free stall para 300 animais e atualmente tem 449 animais Holandesas registradas, com produção média de 8 mil litros de leite por dia. Em entrevista ao Jornal Holandês, essa guerreira do agronegócio conta um pouco da sua trajetória, mostra sua paixão pela produção do leite e ainda compartilha como vem superando as dificuldades do setor. Confira, ao final da entrevista, os principais pontos apontados por Rita em relação à vida no campo, mão de obra, economia, política e muito mais. 
 
Sobre o uso do IDEAGRI na Fazenda Iraí dos Buritis:
“Temos usado todas as funcionalidades do IDEAGRI para a gestão do rebanho, dos grãos e das movimentações econômico-financeiras. Estamos muito satisfeitos com a solução!” 
Guilherme Lohmann
JORNAL HOLANDÊS: Como tudo começou no gado Holandês?
RITA MARTINS LOHMANN: Realizando um antigo sonho, que acredito que seja de todo pecuarista, que é ter um gado de excelente genética; comecei com duas vacas Holandesas apenas para consumo próprio e fui tomando gosto pela pecuária leiteira.
 
JH: Qual o objetivo da sua propriedade?
RL: Crescer, obter produtividade, qualidade e lucratividade no menor período possível, além de ser incentivadora e modelo para a minha região.
JH: Como você atua na fazenda?
RL: Atuo na parte financeira, mas sempre de olho na produção. Compro, vendo, negocio, corro atrás de peças e equipamentos (quando não as encontro na minha cidade) e estou sempre acompanhando a produção diária. Trabalho em parceria com o meu marido: eu administro fora da fazenda e ele fica responsável pela parte interna da propriedade.
 
JH: A família Lohmann vive do leite?
RL: Vivemos do agronegócio. A agricultura e a pecuária andam juntas dando sustentabilidade uma para a outra.
 
JH: Como é a sua região com relação à produção de leite?
RL: Moro numa região que é um enorme desafio a pecuária leiteira. A cidade é longe de tudo, ninguém acredita na capacidade de se criar e produzir leite por aqui, a logística é difícil e as pessoas qualificadas vão para o Distrito Federal. Com altitude de 936 m, Buritis está perto de Unaí, a economia é voltada para agricultura e pecuária, sendo o quarto maior produtor de grãos do estado de Minas Gerais. Apesar de todas as dificuldades surgiu a oportunidade de adquirir algumas terras, a região estava em desenvolvimento e com ótimos preços.
 
JH: Como você vê a presença da mulher na raça Holandesa?
RL: A presença da mulher na pecuária Holandesa vem crescendo muito a cada dia. Ainda somos poucas, mas contamos com a disciplina, a organização, a determinação, a seriedade, a serenidade, a persistência e o sorriso no rosto, para transformar as dificuldades do dia a dia em oportunidades.
 
JH: Como os seus filhos se envolvem na produção?
RL: O envolvimento dos meus filhos na produção é de 100%. Eles têm estilo de liderança o que atrai e retêm bons funcionários, fazendo com que os procedimentos operacionais sejam mais bem executados, sempre, garantindo menos mastite e melhor produção. Eles estão muito interessados e comprometidos com a sucessão familiar e amam o que fazem.
 
JH: Paixão e negócio podem caminhar juntos?
RL: A paixão e o negócio são os maiores parceiros de caminhada e sucesso em qualquer empreendimento, pois quem quer realizar os seus sonhos sabe muito bem que a crise e a oportunidade também caminham juntas. Se não houver paixão pelo que se faz, não há negócio que persista nem na oportunidade e muito menos na crise.
 
JH: Quais as maiores dificuldades na produção do leite?
RL: As dificuldades são inúmeras, desde o descaso do governo com o pecuarista, a dificuldade de mão de obra especializada e competente, o déficit no valor de venda da produção, o alto custo dos produtos para a manutenção e sobrevivência do negocio, dentre outras.
 
JH: Como superá-las?
RL: Buscando novas tecnologias, informações e implantando-as. Lembrar que as ações consideradas simples, focadas em utilizar corretamente as informações, organizar o fluxo de trabalho, resolver problemas de forma definitiva e engajar as pessoas, é possível minimizar as dificuldades do negócio do leite. Além disso, é importante saber negociar na hora da compra de produtos com as firmas parceiras e na venda de leite. Hoje conto com grandes parceiros, amigos e profissionais, dentre eles a Associação dos Criadores de Gado Holandês de Minas Gerais, o criador Reinaldo Figueiredo e o Dr. Cláudio Olímpio.
JH: Quais ações de sustentabilidade você desenvolve na fazenda e como elas podem ser lucrativas? 
RL: Todo o dejeto produzido no free stall é processado; o liquido é utilizado no biodigestor, gerando 70% da energia utilizada no leite e depois do biodigestor este liquido é utilizado para fazer a fertirrigação através dos pivôs, onde obtemos excelentes resultados na produtividade de grãos. Já o dejeto seco, utilizamos para fazer a cama para os animais, o nosso sistema flushing é reaproveitamento da água de dejetos.
 
JH: Quando se tornou associada da ACGHMG? 
RL: Sou associada desde 2016, quando comprei um gado Holandês que era registrado, fiquei sabendo da Associação Mineira e em complemento ao sonho de ter o gado registrado demos continuidade nos registros após essa compra.
 
JH: Qual a importância da Associação Mineira para a sua fazenda?
RL: Por ser uma entidade de grande renome nacional, pela qualificação, registro do gado e pelo suporte nos oferecido quando necessário. 
POLÍTICA
Precisamos de preço justo, estradas melhores, incentivos e financiamentos.
ECONOMIA
Com a crise na economia, o que ocasionou essa queda no consumo foi principalmente a falta de renda da população, o desemprego e o medo de perder o emprego. Essa insegurança gera uma situação de mercado ruim. Se no primeiro momento atinge outros produtos, agora ela chega também aos alimentos. O consumidor está racionalizando melhor os gastos e comprando menos os produtos que não são tão essenciais.
EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO
A esperança do leite está na exportação, sem esperança do fim da importação por parte do governo, nós produtores desejamos que a importação seja transformada em exportação.
VIDA NO CAMPO
A vida no campo é muito árdua, mas com a paixão pelo que se faz e com as tecnologias de ponta, fica mais amena. É cada vez mais comum na cidade uma pessoa quando se sente afrontada em um negócio dizer “assim você fará eu voltar pra roça”, referindo-se ao meio rural como o pior lugar para trabalhar, ignorando a possibilidade de ter uma renda líquida mais atraente e até uma melhor forma de se viver. O governo deveria ser o primeiro a incentivar e divulgar mais sobre a vida no campo, pois o futuro do país vem do campo. Se no campo tem…, do campo vem…
MÃO DE OBRA
Com os benefícios sociais e seguros oferecidos pelo governo, ficou mais difícil de encontrar pessoas dispostas a morar nas fazendas em especial com a atividade leiteira. É muito difícil encontrar mão de obra qualificada e especializada.
FAMÍLIA
É a base de tudo, é o começo, o meio e o fim. A família é um grande projeto de Deus, que a criou para ser unida, protegendo e fortalecendo cada membro. Amo muito minha família.

Procure por conteúdos específicos:

Quer receber mais conteúdos para evoluir sua gestão de corte? Cadastre-se abaixo.

Ao se cadastrar declaro que conheço a Política de Privacidade e autorizo a utilização das minhas informações pela Bovitech

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors